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04 fevereiro 2016

Ó abre alas que eu quero passar ♬♪


Crônicas Carnavalescas 

~ Hey foliões ~


Ou nas já altas, observadas entornar equivalente a uma grade, por ai, atiradas e irreverentes nem precisam de uma abordagem muito elaborada. É certeiro. Ou nas retraídas, não tão bonitas, mas que valem a pena chegar. O clima de alegria, a euforia em ter sido elogiada, por um dia, pela fantasia, enrubesce as bochechas pelo resto do ano na beleza anônima e pouco cantada, a gratidão se converte em beijos, caricias e abraços. É o gabarito. 

Assim, com as estratégias traçadas, saíram atrás do trio num bloco pequeno do interior, famoso pelas bebedeiras e por conseguinte, ressacas morais das mais constrangedoras e marcantes. "Ah, é Carnaval!", "Quem não deve não teme", argumentavam os assíduos foliões, mas cidade pequena é fogo! Quem bem souber não se fia em máscaras do armarinho da Dona Cleide, todos te conhecem. Só os iguais não julgaram, os que aprontaram tanto quanto. No mais, risinhos e fofocas. 

Júlio queria inaugurar o pau de selfie, pois sim, ainda. Mari, de odalisca, apenas lantejoulas e plumas, jurava que encontraria um par. "No Carnaval, Mari!?". Insistia que sim. Fábio foi na intenção de bagunçar mesmo, queria ver rebuliço, seria o divisor de águas e de faces. Já Carlos, o líder da trupi, prometeu ser o evento inesquecível, montou o plano da conquista, reservou lugares no trio e guiou os camaradas pelas ruas estreitas de paralelepípedo. 

Bem, o Júlio foi roubado, naturalmente, mas foi cúmplice, deu o pau de selfie ao ladrão que saiu correndo ladeira abaixo. Mari beijou alguns, só que não escutou os anjos tocando arpas nem os sinos da igreja com nenhum. Não foi dessa vez. Fabio, perdeu um dente e extraiu os de outros, aquele feito lhe dera tanto prazer! Engraçado que nunca cogitou ser dentista e Carlos, ao fim do trajeto estava sem camisa, sem serpentina e sem tênis, porém com um largo sorriso no rosto. Todos muito felizes. 

Afinal, ainda que não tenha sido exatamente como planejaram, É Carnaval!


24 junho 2014

Seria isso decepção?!






... É uma decepção, mais uma.


Existem pessoas que mantemos por perto sem um motivo definido, tampouco sentido. Vivemos rodeados de gente, somos vistos, não enxergados, somos ouvidos, não escutados, somos amores, não amados. Renato Russo já perguntava "Como diz "eu te amo". E eu respondo: ora, abra a boca e profira as palavras. Falar por falar, fale com o coração vazio. Porque eu acredito que amor deve ser mais sentido, demonstrado e menos anunciado. Não, esse não é texto sobre amor, ainda que se refira, nem de relacionamentos por vias e linhas. É sobre amizade, que não deixa de ser relação.
Convivo num circulo de amigos bem complexo no qual a sensibilidade reina, as declarações de amor fraterno transbordam, a compreensão é tudo, menos mútua e a cegueira sobre as necessidade dos outros se mostra fiel e digna. Se é que ha fidelidade e dignidade em atropelar o amigo, irmão, camarada. 
Sou do tipo de pessoa que pedi desculpa estando certa, que pode estar passando pela mais melancólica das fases, mas faz os outros riem, pois o sorriso do outro é mais válido do que o dela, que está sempre disponível para dar conselho, para fazer piada, para ajudar com o cálculo de matemática e as longas atividades de geografia às 00:45 da manhã, que ainda consegue colocar os casos alheios acima dos seus e contente por fazer isso, que não vê maldade nos olhos de ninguém e quer segurar "o mundo" pela mão, acarinhá-lo nos braços, tomar todas suas dores e lhe mostrar só o que ha de bonito, os sofrimentos vai ensinando aos poucos, mostrando com cuidado, afinal eles, que são compactuados como "o mundo" merecem todo o cuidado pois são especiais, são meus amados. E eu faço tudo isso, sempre fiz e farei até que minha cara esteja calejada demais para aguentar mais um baque, ou até que minha quota de "ser idiota" se esgote, pelo simples fato de que eu amo meus amigos. Em contrapartida, eles, "o mundo" se permitem a capacidade de serem endeusados mesmo estando errados, de me reprimir para se sentirem bem consigo mesmos, pedirem conselhos, nas horas mais impróprias e copiar minhas respostas sem pudor, explorar minha inocência para abusar e ainda caçoam dos meus braços, do meu colo, do meu cuidado. Afinal, o que menos precisam é de mim. Ah, mas eles me amam!  

E que Deus me defenda se alguém desconfiar que esse texto tem endereço.